Sindicato da Construção, Obras Públicas e Serviços

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2012-04-29
Ecos da imprensa

Cerca de 202 milhões de pessoas vão estar desempregadas este ano em todo o mundo, mais seis milhões do que em 2011, indica um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em Genebra. As políticas de austeridade em vários países estão a ensombrar as perspectivas de emprego e são «contraproducentes» para o crescimento económico, afirmou o director do instituto internacional de estudos sociais da OIT, Raymond Torres, em conferência de imprensa.
De acordo com os dados da organização, em 2011 foram contabilizados em todo o mundo 196 milhões de desempregados e a perspectiva, para este ano, é de 202 milhões e em 2013 de 207 milhões. Para a OIT, a criação de 50 milhões de postos de trabalho seria insuficiente para regressar à situação laboral registada antes da crise de 2008.
Além disso, é pouco provável que a economia mundial cresça o suficiente nos próximos dois anos para dar resposta aos cerca de 80 milhões de pessoas que, no mesmo período, chegarão ao mercado de trabalho, alerta.
Mas se a situação na Europa é preocupante, não o é menos no Japão e nos Estados Unidos, onde o mercado de trabalho está «em ponto morto», descreveu a Organização Internacional do Trabalho. A falta de condições para aceder ao crédito, especialmente para as pequenas e médias empresas, e as medidas de austeridade postas em prática para «acalmar os mercados financeiros», são algumas das causas do agravamento da situação do mercado de trabalho.
O relatório da organização alerta ainda para as baixas perspectivas de emprego que poderão ainda traduzir-se num aumento do risco de convulsões sociais na Europa, Médio-Oriente, Norte de Ãfrica e região subsaariana.
Sobre as políticas contraproducentes que afectaram os índices de desemprego, a organização deu como exemplo Espanha, que conseguiu reduzir o défice de 9% do produto interno bruto (PIB) em 2010 para 8,5% em 2011: «Uma pequena descida com um programa de austeridade drástico.» A organização recomenda à União Europeia que leve o Banco Central Europeu (BCE) a reconsiderar a sua estratégia e facilite a concessão de crédito para impulsionar o crescimento.

Fonte: Agência Lusa

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